De repente o peixinho percebeu uma pequena fresta, e nadando para lá, procurou enxergar lá dentro. Mas...a abertura fechou-se !-"Ah ! - pensou o peixinho - lá dentro mora alguém que certamente tem medo de mim ! Vou chamá-lo !"
Nadou em torno de toda a concha e disse : " Ei ! você aí de dentro...saia ! Eu não te mordo , não !"
A concha murmurou bem baixinho : " Por que dev sair ? Aqui me agrada muito mais ...!"
-"Saia assim mesmo ! Eu desejo olhar a tua bela nadadeira !"-"Eu não tenho nenhuma nadadeira ...!" murmurou a concha.
Mas o peixinho não dava sossego, tinha uma vontade enorme de descerrar a concha. Então falou : -"Saia para fora você poderá se alegrar com minhas escamas cintilantes...!"
-" Eu nem siquer tenho olhos...", respondeu a concha.
Irritado o peixinho nadou em volta dela e falou : -" No quê devo acreditar ? Você não tem cauda, nem escamas,nem olhos...Tem apenas ambas as cascas cheias de pele ?"
-" Eu, tenho o sonho aquático..." falou baixino a concha. E este não troco nem por suas escamas , e nem pela sua cauda...!"-"Oh! Então conte-me ", pediu o peixinho.
A concha disse: -" Contar eu não posso. Cada dia eu pinto o sonho nas paredes da minha casca. Por isto eu quero lhe mostrar algo...mas depois, deixe-me em paz !"
Cuidadosamente a concha abriu a sua fresta e o peixinho viu em seu interior estranhas cores brilharem : vermelho, azul, verde, violeta...era um oculto brilho cintilante.-"Oh...! É como o arco-íris nas cachoeiras...!" disse ele.
Mas a concha fechou-se novamente tão silenciosamente quanto abriu...
Em seguida ela deitou-se bem a seu lado e lá permaneceu sem se movimentar.
O peixinho, bem próximo, sentia como entrava e saia água da concha..."o sonho aquático !"...
Ainda por algum tempo ele ficou perto da concha, que externamente parecia arenosa e cinzenta, mas que interiormente escondia o mais belo milagre que já se viu.
( Jacob Streit - Coletânea Waldorf)
Um beijinho de madrepérola a todos !
Betty
