domingo

Roda de Conversa sobre a Atuação do Contos no desenvolvimento do Ser Humano

Sábado, 27 de Setembro
Roda de Conversa sobre "A  Atuação dos Contos e Histórias na Formação do Ser Humano" no Espaço Seminare ( SP, SP)
Uma linda Roda, movimento,música,jogo , surpresas , perguntas, contribuições...tempo de crescimento e partilha !

Obrigada a todos pela presença ! Obrigada Eliana pelo convite e organização !
Gratidão !
Amanhã tem mais !!!


segunda-feira

A Lenda das Rosas Vermelhas


A Lenda das Rosas Vermelhas                         

recontado por Vera Ravagnani

uma lenda árabe que, em tempos, todas as rosas eram brancas…mas...
Em uma linda e quente noite de Primavera, sob a Lua minguante, um rouxinol pousou sobre uma esbelta rosa. Rosa de brancura imaculada. Ficou imediatamente apaixonado.
Até esse dia, nunca se ouvira um rouxinol cantar, viviam toda a sua vida em silêncio, mas o amor pela branca rosa foi tão imenso que uma canção, de uma beleza espantosa, se formou na sua garganta e ele abriu as asas em torno da flor, num abraço tão apaixonado. Ahhhh apertou com tal paixão, que os espinhos dela o feriram profundamente.
Mesmo assim, o rouxinol não afrouxou o seu abraço, continuando o seu canto de amor, cheio de mavioso trinado, até que esvaindo em sangue o pobre apaixonado tombou sem vida.

O sangue que lhe corria das feridas caiu sobre as pétalas brancas da rosa, manchando-as. E desde então, há rosas que nascem vermelhas… e na Primavera, pela noite dentro, ouvem-se os trinados dos rouxinóis cantando as suas canções de amor!

quarta-feira

Grupo de Estudos e Vivências Online Inscrições ABERTAS ! Início IMEDIATO !!!


O Grupo de Estudos e Vivências Online "O que o Conto me conta ?" é fruto de um trabalho sério e dedicado de pesquisas e práticas que deu sua 1ª florada sob a forma de cursos, palestras e oficinas presenciais há mais de 2 décadas... pela necessidade de receber participantes advindos de lugares distantes e até outros países aceitamos o desafio de metamorfosear tudo o que havia sido feito e produzido para a forma "ONLINE"...mas nossos estudos e pesquisas continuaram ( e continuam até hoje !!!) e unidos às perguntas e dúvidas apresentadas pelos participantes , suas solicitações e encorajamento, resolvemos aceitar um novo desafio e assim, novamente com o olhar Antroposófico/Waldorf que sempre permeia o nosso trabalho, apresentamos este GRUPO DE ESTUDOS ..
As INSCRIÇÕES ESTÃO ABERTAS, e o INÍCIO é IMEDIATO. 
Informações e inscrições : umpunhadodemagia@gmail.com




Mais sobre o Grupo de Estudos...



Juntem-se aos amigos participantes que estão enriquecendo nossas reflexões e compartilhando suas experiências ! Agradeço a divulgação ! Gratidão, Betty Mello

sábado

A Desventura Ensina


DESVENTURA ENSINA
(conto popular búlgaro)
Era uma vez um camponês que tinha dois filhos. Os dois já eram grandes e fortes. O pai costumava ir à floresta para cortar lenha e sempre levava os filhos para ajudarem.
Um dia o velhinho pensou: “Meus filhos não sabem se virar sozinhos, já são homens e está na hora deles aprenderem a não contar sempre comigo”. Ele os chamou e lhes disse:
- Filhos, eu já sou velho e cansado, não vou ter mais forças para ir à floresta com vocês. A partir de hoje vocês vão trabalhar sozinhos.
- Mas, papai - reclamou o filho mais velho - nós não sabemos trabalhar sozinhos. E se quebrar a nossa carroça, quem vai concertá-la?
- Se a carroça quebrar chamem a Desventura e fiquem tranquilos, pois ela sabe ajudar as pessoas melhor que ninguém - respondeu o velhinho.
Então, os dois rapazes foram tranquilos para a floresta e trabalharam duro o dia inteiro. Ao pôr-do-sol a carroça estava muito cheia e eles foram para casa. Mas no caminho, como a carroça estava sobrecarregada, quebrou uma das rodas. Os rapazes ficaram apavorados. Não sabiam o que fazer. De repente, o filho mais velho se lembrou do conselho do pai. Foram então os dois jovens na beira da estrada e começaram a gritar:
- Desventura-a-a, oi desventura-a-a! A carroça está quebrada-a-a... venha ajuda-a-ar - Mas nada. Ninguém respondia e a Desventura não aparecia. Então, o filho mais novo disse para o irmão:
- Olha, irmão, eu acho que a Desventura está concertando outro carro por aí. Está ficando escuro, vamos tentar concertar a roda nós mesmos.
Eles pegaram os machados, bateram de lá, bateram de cá, no final conseguiram fazer a carroça andar.
Chegando em casa, os dois começaram a se queixar para o pai:
- Papai, aquela Desventura nem apareceu, a gente chamou, chamou e nada. Ainda bem que conseguimos concertar a roda sozinhos, se fosse pela Desventura...teríamos ficado a noite toda na floresta”.

- Pelo contrario, respondeu-lhes o pai todo contente - a Desventura estava lá o tempo todo e ensinou-lhes a contar com vocês mesmos nos momentos difíceis. Estou muito orgulhoso por terem aprendido bem a lição dessa boa “professora”.

quinta-feira

O Fabricante de Chuva


O FABRICANTE DE CHUVA 
Houve uma falta de chuva grave em um vilarejo na China.
Organizou-se uma expedição para encontrar um fabricante de chuva que era conhecido, o fato era que ele vivia no canto mais distante do país, muito longe. "Claro, porque não confiamos num profeta que vive em nossa região; deve vir de muito longe"
Então ele veio e encontrou a aldeia em um estado miserável. O gado estava morrendo, a vegetação estava morrendo, a população foi atingida. As pessoas se aglomeraram ao redor dele , muito curiosas sobre o que ele faria.
Ele disse: "Bem, só me dêem uma pequena cabana e me deixem em paz por alguns dias." Então ele foi para essa pequena cabana e as pessoas estavam cada vez mais curiosas... passou  o primeiro dia, o segundo ... No terceiro dia começou a chover e ele saiu. Perguntaram-lhe: "Mas que você fez?"
"Oh," ele disse, "é muito simples. Eu não fiz nada."
"Olha", eles disseram, "está chovendo agora. O que aconteceu?"
Ele explicou: "Eu venho de uma área que está no Tao, em equilíbrio. Nós temos a chuva e o sol. Nada está em desordem. Estou na sua região  e descobrir que ela é caótico. O ritmo da vida é perturbado, por isso, quando entramos, eu fiquei perturbado demais. Tudo me aflige ao me encontrar imediatamente em desordem.

Então o que eu posso fazer? Eu quero uma pequena cabana para estar comigo mesmo, para meditar, para me realinhar. E então, quando eu sou capaz de me colocar em ordem, tudo ao meu redor é colocado no caminho certo. Agora estamos no Tao, e por isso está chovendo agora."

sexta-feira

Grupo de Estudos Online - façam suas reservas !!!

 Convite ...


Como existe um nº limite de participantes para acessar o blog ( que é restrito)aconselho que façam suas reservas !!!

Divulgue entre colegas, familiares e amigos !
Obrigada ! Betty Mello

segunda-feira

Conto Budista sobre a tristeza

O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.
 - "Qual é o gosto?" perguntou o Mestre.
 - "Ruim " disse o aprendiz.
 O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.
Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago, então o velho disse:
 - "Beba um pouco dessa água".
Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:
 - "Qual é o gosto?"
 - "Bom!" disse o rapaz.
 - Você sente gosto do "sal" perguntou o Mestre?
 - "Não" disse o jovem.
 O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse:
- "A dor na vida de uma pessoa não muda.
Mas o sabor da dor depende do lugar onde a colocamos.
Então quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é ampliar o sentido das coisas. Deixe de ser um copo, torne-se um lago."

domingo

Se as coisas fossem Mães !


Se a lua fosse mãe, seria mãe das estrelas,
o céu seria sua casa, casa das estrelas belas.

Se a sereia fosse mãe, seria mãe dos peixinhos,
o mar seria um jardim, os barcos seus caminhos.

Se a casa fosse mãe, seria a mãe das janelas,
conversaria com a lua sobre as crianças estrelas,
falaria de receitas, pastéis de vento, quindins,
emprestaria a cozinha pra lua fazer pudins!

Se a terra fosse mãe, seria a mãe das sementes,
pois mãe é tudo que abraça, acha graça e ama a agente.

Se uma fada fosse mãe, seria mãe da alegria,
toda mãe é um pouco fada... Nossa mãe fada seria.

Se uma bruxa fosse mãe,
seria mãe gozada:
seria a mãe das vassouras, da Família Vassourada!

Se a chaleira fosse mãe, seria a mãe da água fervida,
faria chá e remédio para as doenças da vida.

Se a mesa fosse mãe,
as filhas, sendo cadeiras,
sentariam comportadas,
teriam “boas maneiras”.

Cada mãe é diferente: mãe verdadeira, ou postiça,
mãe vovó e mãe titia, Maria, Filó, Francisca,
Gertrudes, Malvina, Alice,
Toda mãe é como eu disse.

Dona Mamãe ralha e beija,
erra, acerta, arruma a mesa,
cozinha, escreve, trabalha fora,
ri, esquece, lembra e chora,
traz remédio e sobremesa ...

Tem pai que é “tipo mãe”...

Esse, então, é uma beleza!

Se as Coisas Fossem Mães - Sylvia Orthof
feltragem Rebecca Varon

quarta-feira

O Senhor Palha



O Senhor Palha
Conto japonês

Era uma vez, há muitos e muitos anos, é claro, porque as melhores histórias passam-se sempre há muitos e muitos anos, um homem chamado Senhor Palha. Ele não tinha casa, nem mulher, nem filhos. Para dizer a verdade, só tinha a roupa do corpo. Ora o Senhor Palha não tinha sorte. Era tão pobre que mal tinha para comer e era magrinho como um fiapo de palha. Era por esse motivo que as pessoas lhe chamavam Senhor Palha.
Todos os dias o Senhor Palha ia ao templo pedir à Deusa da Fortuna que melhorasse a sua sorte, mas nada acontecia. Até que um dia, ele ouviu uma voz sussurrar:
— A primeira coisa em que tocares quando saíres do templo há-de trazer-te uma grande fortuna.
O Senhor Palha apanhou um susto. Esfregou os olhos, olhou em volta, mas viu que estava bem acordado e que o templo estava vazio. Mesmo assim, saiu a pensar: “Terei sonhado ou foi a Deusa da Fortuna que falou comigo?” Na dúvida, correu para fora do templo, ao encontro da sorte. Mas, na pressa, o pobre Senhor Palha tropeçou nos degraus e foi rolando aos trambolhões até o final da escada, onde caiu por terra. Ao levantar-se, ajeitou as roupas e percebeu que tinha alguma coisa na mão. Era um fio de palha.
“Bom”, pensou ele, “uma palha não vale nada, mas, se a Deusa da Fortuna quis que eu a apanhasse, é melhor guardá-la.”
E lá foi ele, com a palha na mão.
Pouco depois, apareceu uma libélula zumbindo em volta da cabeça dele. Tentou afastá-la, mas não adiantou. A libélula zumbia loucamente ao redor da cabeça dele. “Muito bem”, pensou ele. “Se não queres ir embora, fica comigo.” Apanhou a libélula e amarrou-lhe o fio de palha à cauda. Ficou a parecer um pequeno papagaio (de papel), e ele continuou a descer a rua com a libélula presa à palha. Encontrou a seguir uma florista, que ia a caminho do mercado com o filho pequenino, para vender as suas flores. Vinham de muito longe. O menino estava cansado, coberto de suor, e a poeira fazia-o chorar. Mas quando viu a libélula a zumbir amarrada ao fio de palha, o seu pequeno rosto animou-se.
— Mãe, dás-me uma libélula? — pediu. — Por favor!
“Bem”, pensou o Senhor Palha, “a Deusa da Fortuna disse-me que a palha traria sorte. Mas este garotinho está tão cansado, tão suado, que pode ficar mais feliz com um pequeno presente.” E deu ao menino a libélula presa à palha.
— É muita bondade sua — disse a florista. — Não tenho nada para lhe dar em troca além de uma rosa. Aceita?
O Senhor Palha agradeceu e continuou o seu caminho, levando a rosa. Andou mais um pouco e viu um jovem sentado num tronco de árvore, segurando a cabeça entre as mãos. Parecia tão infeliz que o Senhor Palha lhe perguntou o que havia acontecido.
— Hoje à noite, vou pedir a minha namorada em casamento — queixou-se o rapaz. — Mas sou tão pobre que não tenho nada para lhe oferecer.
— Bem, eu também sou pobre — disse o Senhor Palha. — Não tenho nada de valor, mas se quiser dar-lhe esta rosa, é sua.
O rosto do rapaz abriu-se num sorriso ao ver a esplêndida rosa.
— Fique com estas três laranjas, por favor — disse o jovem. — É só o que posso dar-lhe em troca.
O Senhor Palha continuou a andar, levando três suculentas laranjas. Em seguida, encontrou um vendedor ambulante puxando uma pequena carroça.
— Pode ajudar-me? — disse o vendedor ambulante, exausto. — Tenho puxado esta carroça durante todo o dia e estou com tanta sede que acho que vou desmaiar. Preciso de um gole de água.
— Acho que não há nenhum poço por aqui — disse o Senhor Palha. — Mas, se quiser, pode chupar estas três laranjas.
O vendedor ambulante ficou tão grato que pegou num rolo da mais fina seda que havia na carroça e deu-o ao Senhor Palha, dizendo:
— O senhor é muito bondoso. Por favor, aceite esta seda em troca.
E, uma vez mais, o Senhor Palha continuou o seu caminho, com o rolo de seda debaixo do braço.
Não tinha dado dez passos quando viu passar uma princesa numa carruagem. Tinha um olhar preocupado, mas a sua expressão alegrou-se ao ver o Senhor Palha.
— Onde arranjou essa seda? — gritou ela. — É justamente aquilo de que estou à procura. Hoje é o aniversário de meu pai e quero dar-lhe um quimono real.
— Bem, já que é aniversário dele, tenho prazer em oferecer-lhe a seda — disse o Senhor Palha.
A princesa mal podia acreditar em tamanha sorte.
— O senhor é muito generoso — disse sorrindo. — Por favor, aceite esta jóia em troca.
A carruagem afastou-se, deixando o Senhor Palha com uma jóia de inestimável valor refulgindo à luz do sol.
“Muito bem”, pensou ele, “comecei com um fio de palha que não valia nada e agora tenho uma jóia. Sinto-me contente.”
Levou a jóia ao mercado, vendeu-a e, com o dinheiro, comprou uma plantação de arroz. Trabalhou muito, arou, semeou, colheu, e a cada ano a plantação produzia mais arroz. Em pouco tempo, o Senhor Palha ficou rico.
Mas a riqueza não o modificou. Oferecia sempre arroz aos que tinham fome e ajudava todos os que o procuravam. Diziam que sua sorte tinha começado com um fio de palha, mas quem sabe se não terá sido com a sua generosidade?

William J. Bennett
O Livro das Virtudes II – O Compasso Moral
Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1996

domingo

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Nesta época de Páscoa postamos ovos e Coelhos feltrados que fizemos ( sob encomenda !)
 Bjs ! Betty

segunda-feira

Couro de Piolho


Couro de piolho
Era uma vez uma princesa que estava sendo penteada pela ama quando esta encontrou um piolho no pente. A princesa ficou tão admirada com aquele achado que resolveu criar o piolho numa caixinha. O piolho cresceu tanto que, mudando de caixas, estava enorme. A princesa mostrou ao rei seu pai que mandou matar o bicho e tirar-lhe o couro para fazer o assento de uma cadeira para seu salão. Ordenou que a rainha e a princesa guardassem todo segredo e disse que dava a mão da filha em casamento a quem adivinhasse de que era feito o forro da cadeira real.
Como a princesa era muito bonita e rica, correram moços de todas as partes para a prova. Nenhum acertou. Os meses passavam e a princesa estava zangada com tanta demora no casamento. Primeiro vieram rapazes das primeiras famílias e depois os de menor fortuna, seguidos pelos pobres. Centenas e centenas de homens olhavam e tornavam a olhar a cadeira e não havia jeito em descobrir a que animal pertencera aquele couro esquisito.
Bem longe da cidade morava uma velha que tinha um filho chamado João, meio amalucado, mas esperto. João, sabendo da promessa do rei, resolveu tentar a fortuna. A mãe debalde aconselhou-o a desistir daquela loucura. João nem ouviu. A velha preparou a matalotagem e o rapaz pôs-se a caminho.
Andou, andou, e quando anoiteceu estava perto da cidade, mas achou ser melhor dormir no mato. Amarrou a rede a uns galhos, fez o fogo, assou carne e ia comer quando apareceu um velhinho muito trêmulo, dizendo que estava morto de fome e de cansaço.
— Não faça cerimônia, homem de Deus, vá comendo e descanse.
O velho sentou-se, comeu, bebeu água, descansou. Lá para as tantas, João, com sono, e tendo apenas uma rede ofereceu ao velho.
— Não quero. Deus lhe pague por tudo. Quero dar uma lembrança. Leve estes três fios da minha roupa. Quando se vir agoniado, queime um deles e será valido.
Disse estas palavras e meteu-se pelo mato. João dormiu a noite inteira e pela manhã desarranchou-se e botou o pé na estrada com vontade.
Chegando, procurou o palácio do rei e um lugar para pousada. Deram-lhe agasalho bem pertinho do palácio. João andou rondando a casa do rei, vendo o movimento de gente que subia e descia as escadas.
No outro dia foi ao palácio e disse que queria adivinhar de que era feita a cadeira do rei. Mandaram-no subir, com outros rapazes. João, todo acanhado, ia suando frio. Quando entraram no salão, estava o rei, a rainha, a princesa e muitos homens importantes e bem vestidos. Mostraram a cadeira bem no meio da sala. João foi olhando, de longe, e ouvindo as palavras dos outros.
— É couro de cobra.
— Não é!
— É couro de rato.
— Não é!
— É couro de lagartixa.
— Não é!
O rapaz esgueirou-se para o vão de uma janela, puxou um dos fios, queimou-o dizendo: "Quero saber de que é feito o couro daquela cadeira" -- e imediatamente veio à idéia a imagem do piolho. Ficou alarmado com tamanho absurdo, mas tendo confiança no velhinho, avançou para o meio da sala e esperou sua vez. Um criado chamou-o e o rei perguntou-o de que era feito o forro da cadeira.
— É couro de piolho!
— É mesmo. Acertaste!
Toda a gente bateu palmas e abraçou o rapaz. A princesa não achou graça naquele moço mal vestido, sujo e com um ar desajeitado e palerma.
Houve um jantar com todas as variedades de comidas. Depois, o rei chamou João e lhe disse:
— Está tudo muito bem, mas para você casar com a princesa deve cumprir outro preceito. Amanhã, pela manhã, receberá cem coelhos e deve levá-los para o campo e voltar pela tardinha, sem faltar um só.
João ficou certo de que guardar coelhos é o mesmo que juntar moscas. Não ficaria um só para exemplo. Mas mesmo assim aceitou e dormiu num quarto todo preparado. Pela manhã, deram café e outras cousas e cem coelhos. Quando o rapaz saiu pelo portão do palácio, não via mais um coelho que fosse. Tinham fugido todos.
João andou até o campo, deitou-se debaixo de uma árvore e queimou o segundo fio que tivera de presente.
— Quero um jeito para guardar esses coelhos!
Palavras não eram ditas, apareceu uma gaita, pequenina. João pegou e soprou. Saiu um apito estridente. Imediatamente os coelhos vieram correndo como uns loucos e se enfileiraram como soldados diante do rapaz. João espantou-os para que fossem comer. Pela tardinha, apitou na gaitinha, juntou os cem coelhos e tocou-se para o palácio. Assim que chegou, mandou dizer ao rei que contasse os bichos. Contaram. Estavam todos os cem.
No outro dia voltou com os cem coelhos, porque a princesa estava maldando uma diabrura para não casar com João. Este chegou, deitou-se debaixo da árvore e os coelhos sumiram-se, pulando para todos os lados.
No pino do meio-dia, apareceu uma das criadas da princesa, toda bonita e trajada. Vinha comprar um coelho por todo o dinheiro que fosse. O rapaz, desconfiando, teve uma idéia. Disse que vendia o coelho por um beijo. Vai a criatura aceitou o preço, dando o beijo. João entregou o coelho e a moça segurou o bichinho nos braços e botou-se para casa, bem depressa. Logo que João a perdeu de vista soprou a gaita e o coelhinho debateu-se com tanta força que arranhou a moça e voltou como um raio para junto dos outros.
A moça chegou triste e contou à princesa que não pudera trazer o coelho. A princesa disse que ela não tinha sabedoria e mandou outra. Aconteceu o mesmo, sendo que o preço subiu para dois beijos. A segunda moça voltou sem o coelho e a princesa veio, ela mesma, decidir a questão.
Encontrou João na sombra e puxou conversa, com muito rodeio e acabou falando na compra de um coelho.
— Só vendo se a princesa minha senhora me der a sua camisa.
A princesa zangou-se mas não tendo outro remédio foi para trás de uma árvore, tirou a camisa e a deu ao rapaz, recebendo o coelho. Enrolou o bichinho numa toalha e veio voando para o palácio. Nem passou o portão e já o coelho, ouvindo o apito da gaita, arrancava-se da toalha, e voltava como uma flecha. A princesa nem olhou para trás, de furiosa.
De tarde o rapaz voltou e entregou os cem coelhos. O rei mandou-o chamar e disse:
— Amanhã eu reúno a corte toda e quero que você traga um saco cheio de mentiras.
João ficou desesperado com essa lembrança. Trancou-se no quarto e queimou o último fio:
— Quero um saco cheio de mentiras.
Ouviu umas vozes que ensinavam o que ele devia fazer.
No outro dia, o salão estava apinhado de gente, o rei, a rainha, a princesa e todas as criadas, espelhando de bem vestidas. O rei chamou João, mandou entregar-lhe um saco e disse:
— Vamos, encha este saco de mentiras, na vista de todos que aqui estão.
O rapaz pegou no saco, abriu-lhe a boca, segurando-a com a mão esquerda e estirando a direita, como se tirasse uma fruta do pé, começou a falar:
— Por um coelhinho fujão a criada da princesa me deu um beijo. É mentira ou não?
— É mentira! — gritou a criada que dera o beijo.
João fez que metia uma coisa dentro do saco e declarou:
— O saco está enchendo.
— Por um coelhinho fujão, a outra criada da princesa me deu dois beijos. É mentira ou não?
— É mentira! É mentira! — gritava uma outra criada, que dera dois beijos.
— Saco meio! — dizia o rapaz, e gritando:
— Por um coelhinho fujão, a princesa minha senhora me deu sua camisa. É mentira ou não?
— É a mentira maior do mundo! — gritou a princesa.
— Saco cheio! Saco cheio, rei meu senhor!
— É verdade! — declarou o rei, — o saco está cheio. Falta saber se a princesa quer mesmo casar com você.
João olhou para a princesa, e esta que já estava gostando dele, balançou a cabeça que sim. Casaram e foi uma festa de arromba. Eu lá estive e comi de tudo e trouxe uma compoteira de doce para vocês, mas na ladeira do Conclis dei uma queda e quebrei o nariz...

(Cascudo, Luís da Câmara. Contos tradicionais do Brasil. Belo Horizonte, Itatiaia; São Paulo, Editora da Universidade de São Paulo, 1986 (Reconquista do Brasil, 2ª série, 96), p.106-109) — com Agnes Abreu.

quarta-feira

A Infinita Fiandeira


A INFINITA FIANDEIRA
(A aranha ateia diz ao aranho na teia:
o nosso amor está por um fio!)
A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabava as suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs.
E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cacimbo gotejando, rendas e rendilhados. Tudo sem fim nem finalidade. Todo o bom aracnídeo sabe que a teia cumpre as fatais funções: lençol de núpcias, armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções.
Para a mãe-aranha aquilo não passava de mau senso. Para quê tanto labor se depois não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie.
- Não faço teias por instinto.
- Então, faz porquê?
- Faço por arte.
Benzia-se a mãe, rezava o pai. Mas nem com preces. A filha saiu pelo mundo em ofício de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda.
Os pais, após concertação, a mandaram chamar. A mãe:
- Minha filha, quando é que assentas as patas na parede?
E o pai:
- Já eu me vejo em palpos de mim...
Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse:
- Estamos recebendo queixas do aranhal.
- O que é que dizem, mãe?
- Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas.
Até que se decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos genéticos. Aquele devaneio seria causado por falta de namorado. A moça seria até virgem, não tendo nunca digerido um machito. E organizaram um amoroso encontro.
- Vai ver que custa menos que engolir mosca - disse a mãe.
E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa?
A aranhiça levou o namorado a visitar a sua colecção de teias, ele que escolhesse uma, ficaria prova de seu amor.
A família desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele espécime.
Uma aranha assim, com mania de gente? Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Quando ela, já transfigurada, se apresentou no mundo dos humanos logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia?
- Faço arte.
- Arte?
E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais-velho, se lembrou. Que houvera um tempo, em tempos de que já se perdera memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pouco rentáveis produtos - chamados de obras de arte - tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembrava bem em que bichos. Aranhas, ao que parece.
MIA COUTO

sábado

Sem a participação feminina...


NADA NO UNIVERSO, NEM MESMO AS DECISÕES DOS DEUSES, PODE DAR CERTO SEM A PARTICIPAÇÃO FEMININA

"Um mito africano, que mostra a importância do feminino, conta que os Orixás masculinos decidiram que as Orixás fêmeas não mais participariam de suas reuniões celestes, nas quais decidiam sobre o andamento do mundo. E assim, as Orixás femininas ficaram de fora. Logo que isto aconteceu, todas as mulheres ficaram estéreis, o leite das vacas secou, nenhum animal dava mais crias, os campos secaram, as colheitas minguaram, não havia mais frutos, tudo secou. Os Orixás masculinos não sabiam o que estava acontecendo. Procuraram então o mais sábio de todos os Orixás, o mais velho, Olodumaré. Este perguntou aos filhos se Oxum, a Orixá da beleza, estava participando das reuniões. Eles disseram que não, que as Orixás femininas não participavam mais. Olodumaré explicou então que nada no Universo, nem mesmo as decisões dos deuses, pode dar certo sem a participação feminina. Os Orixás, então, convidaram novamente as irmãs Orixás, e tudo voltou ao normal..." de Alma Brasileira, de Wesley Aragão, futura publicação da Barany Editora

terça-feira

História de Páscoa Feltrada : venham !!!

Queridos Amigos :
Que tal fazer dessa Páscoa um evento muito especial apresentando uma História Feltrada por vocês mesmos ?
Então , não percam mais tempo ...enviem-nos um e-mail solicitando os dados para efetivar a sua inscrição e participar dessa OFICINA PRESENCIAL super especial !!!


Tragam os colegas e amigos , será muito divertido ! Bjs, Betty

sábado

A Velhinha , a galinha e os ovos de Páscoa


A VELHINHA, A GALINHA E OS OVOS DE PÁSCOA –
(Conto Lituano de Nijole Jankute- Tradução livre de Olga Prokopowit)
  
  Numa pequena aldeia, havia uma pequena casa. Nesta casa morava uma velhinha. Ela criava uma galinha e um coelho. A galinha tinha seu ninho embaixo da escada e lá botava seus ovos. O coelho vivia solto pelo gramado que circundava a casa. A galinha cacarejava toda vez que botava um ovo, e a velhinha corria para recolher o ovo que a galinha botava e a alimentava com boa comida.
   A velhinha gostava muito da carijó, que tinha a crista vermelha, as patinhas amarelas e as penas coloridas.. Gostava também do coelho, que tinha o lábio partido, as orelhas bem grandes e o pelo branco bem fofinho.
   Certo dia, a velhinha escuta a galinha cacarejando tão alto e tão feliz: -- Botei, botei, botei! Até o coelho assustou-se e ficou com as orelhas em pé.
   A velhinha desceu bem rápido os degraus da escada, abaixou-se e viu no ninho um ovo bem grande, com manchas multicoloridas. Era tão lindo que ela não cansou de admirá-lo.
   Com muito cuidado pegou-o e levou-o para a cozinha. Ficou pensando o que faria com ele. Não podia come-lo, pois era muito bonito e também não podia deixa-lo como enfeite, pois poderia cair e quebrar-se.
   O coelho que estava ao seu lado, disse-lhe: --E se der de presente para uma criança? A Páscoa está chegando e com certeza quem recebe-lo ficará muito feliz.
   A ideia é boa, respondeu a velhinha, porém para qual criança? Eu conheço tantas. Ela pensou um pouco e exclamou: --Já sei, vou juntar muitos ovos da galinha carijó e depois de pintá-los vou presentear todas as crianças. Saltitando e feliz, o coelho dizia: -- Eu também vou ajudar a pintar. Assim dito, assim feito.

   A galinha carijó botou muitos ovos. A velhinha recolheu-os numa cesta de vime e junto com o coelho branquinho, pintou-os. Ficaram tão bonitos. Multicoloridos. Vermelhos, verdes, azuis, amarelos, roxos. Alguns listrados., outros com bolinhas e até com flores. No domingo de Páscoa, a velhinha os colocou numa bela cesta e o coelho branquinho distribuiu-os para todas as crianças da aldeia.

Bjs, Betty

segunda-feira

Burro ???


"Um dia, um burro caiu num poço e não podia sair dali. O animal chorou fortemente durante horas, enquanto o seu dono pensava no que fazer. Finalmente, o camponês tomou uma decisão cruel: concluiu que já que o burro estava muito velho e que o poço estava mesmo seco, precisaria de ser tapado de alguma forma. Portanto, não valia a pena esforçar-se para tirar o burro de dentro do poço. Chamou então os ...............seus vizinhos para o ajudar a enterrar vivo o burro. Cada um deles pegou uma pá e começou a atirar terra para dentro do poço. O burro entendeu o que estavam a fazer e chorou desesperadamente. Até que, passado um momento, o burro pareceu ficar mais calmo. O camponês olhou para o fundo do poço e ficou surpreendido. A cada pá de terra que caía sobre ele o burro sacudia-a, dando um passo sobre esta mesma terra que caía ao chão. Assim, em pouco tempo, todos viram como o burro conseguiu chegar até ao topo do poço, passar por cima da borda e sair dali...”

Bjs, Betty 

domingo

A Contadeira de Histórias


A CONTADEIRA DE HISTÓRIAS
       (autor nordestino anônimo)
Vovó Candinha é outra figura que nunca se  apagou de minha recordação.
Não havia, realmente, mulher que tivesse mais prestigio para as crianças da minha  idade. Para nós, era um ser à parte, quase sobrenatural, que se não confundia com as outras criaturas. É que ninguém no mundo contava melhor histórias de fadas do que ela.
Devia ter seus setenta anos, rija, gorda, preta, bem preta e cabeça branca como algodão em pasta.
Morava distante. Vinha ao povoado, de quando em quando, visitar a Luzia, sua filha caçula, casada com o Lourenço Sapateiro.
E quando corria a noticia de que ela ia chegar, a meninada se assanhava como se ficasse à espera de uma festa. Não saíamos da porta da Luzia, perguntando insistentemente:
- Quando ela chega?
- Traz muitas histórias bonitas?
- Traz muitas novas?
Era pela manhã que vovó Candinha costuma chegar. O dia nem sempre havia acabado e já a pequena estava à beira do rio para recebê-la. Mal ia saltando da canoa, nós corríamos a abraçá-la com tanta afoiteza e tanta efusão que havia perigo de lhe rasgarmos o vestido rodado, de chita ramulhada.
- Quantas histórias a vovó traz? Perguntávamos.
- Um bandão delas, respondia a velha.
De dia não conseguíamos que ela nos contasse história nenhuma.
- Quem conta história de dia, dizia, negando-se, cria rabo de macaco.
Mal a noite começava a cair, a meninada caminhava para casa de Luzia, como se dirigisse para um teatro. Após o jantar, vovó Candinha vinha então sentar-se ao batente da porta que dava para o terreiro.
Enquanto se esperavam os retardatários, ela fumava pachorrentamente o seu cachimbo.
Sentávamo-nos em derredor, caladinhos, de ouvido atento, como não fora tão atento o nosso ouvido na escola.
Ela começava:
- Era uma vez uma princesa muito orgulhosa, que fez grande má-criação à fada sua madrinha...
Acendiam-se os nossos olhos, batiam emocionados os nossos corações...
Não sei se é impressão de meninice, mas a verdade é que até hoje, não encontrei ninguém que tivesse mais jeito para contar histórias infantis.
Na sua boca, as coisas simples e as coisas insignificantes tomavam um tom de grandeza que nos arrebatava; tudo era surpresa e maravilha que nos entrava de um jacto na compreensão e no entusiasmo.
E não sei onde ela ia buscar tanta coisa bonita. Ora, eram princesas formosas, aprisionadas em palácios de coral, erguidos no fundo do oceano ou das florestas; ora reis apaixonados que abandonavam o trono para procurara pelo mundo a mulher amada, que as fadas invejosas tinham transformado em coruja ou rã.
Não perdíamos uma só de suas palavras, um só dos seus gestos.
Ela ia contando, contando... Os nossos olhinhos nem piscavam...
A lua, como se fosse princesa encantada, ia vagando pelo céu, toda vestida de branco, a mandar para aterra a suavidade dos seus alvos véus de virgem.
Lá pelas tantas, um de nós encostava a cabeça no companheiro mais próximo e fechava os olhos cansado. Depois outro;depois outro.
E quando vovó Candinha acabava a história, todos nós dormíamos uns encostados aos outros, a sonhar com os palácios do fundo do mar, com as fadas e as  princesas.


sexta-feira

A Moça que era mais esperta que o Czar


A MOÇA QUE ERA MAIS ESPERTA QUE O CZAR ( Conto da  Trad. Oral sérvia)
Era uma vez um homem pobre que tinha uma única filha.
Essa jovem era surpreendentemente sábia; parecia possuir uma compreensão muito acima do que seria de se esperar na sua idade e freqüentemente dizia coisas que espantavam a seu próprio pai.
Um dia, quando estava sem um centavo, esse homem foi visitar o czar, para pedir ajuda.
O czar ficou atônito ao ver a forma refinada com que o homem falava, e perguntou-lhe onde havia aprendido aquelas frases.
– Com minha filha – respondeu o homem.
– Sim, mas onde a sua filha aprendeu? – perguntou o czar.
– Deus e nossa pobreza a tornaram sábia – foi a resposta.
– Aqui está algum dinheiro para as suas necessidades imediatas – disse o czar, – e trinta ovos, para que você peça à sua filha, em meu nome, para que os ponha a chocar para mim. Se ela o fizer com êxito darei a vocês ricos presentes. Caso ela não o consiga, você será torturado.
O homem voltou para casa e deu os ovos para sua filha, que os examinou, pesando um ou dois em suas mãos, e assim ela se deu conta de que eram ovos cozidos. Disse ao pai:
– Pai, espere até amanhã. Talvez eu descubra o que se pode fazer.
No dia seguinte ela acordou bem cedo e, tendo pensado uma solução, ferveu algumas sementes. Colocou-as dentro de uma pequena bolsa e deu-a a seu pai, dizendo:
– Vá com o arado e os bois, pai, e comece a arar ao lado do caminho por onde o czar passa quando está indo à igreja.
No momento que o czar puser sua cabeça para fora da janela da carruagem você deve gritar: ‘Vamos, bravos bois, arem a terra para que estas sementes cozidas cresçam bastante’!
O pai fez o que sua filha havia dito, e, conforme a previsão dela, o czar olhou o homem trabalhando pela janela da carruagem. Quando escutou o que ele gritava, disse:
– Homem estúpido, como você pode esperar que sementes cozidas produzam algo?
O homem, prevenido pela sua filha, gritou:
– Da mesma forma como ovos cozidos produzem pintos!
O czar então seguiu o seu caminho, sabendo que a jovem havia sido mais esperta do que ele.
Porém as coisas não terminariam assim…
No dia seguinte o czar enviou fio de linho enrolado e embaraçado à casa do homem. O mensageiro disse:
– Este linho deve ser usado para fazer velas para o barco do meu senhor, e isto deve ser feito até amanhã. Caso contrário você será executado.
Chorando o homem entrou em casa, mas sua filha lhe disse:
– Não tenha medo pai, pensarei em uma solução.
Na manhã seguinte ela se dirigiu a seu pai e entregou-lhe um pedaço de madeira, dizendo:
– Diga ao czar que se ele puder fazer todos os instrumentos necessários para fiar e tecer deste pedaço de madeira, eu farei o tecido para as velas com este linho.
O homem fez conforme a sua filha havia indicado, e o czar ficou ainda mais impressionado com a resposta da jovem. No entanto ele pôs uma pequena taça na mão do homem e disse:
– Vá, leve esta taça para sua filha e peça-lhe para esvaziar o mar com ela, porque assim poderei aumentar meus domínios com novas pastagens.
– O homem voltou para casa e deu a taça à filha, dizendo-lhe que o governante havia pedido novamente algo impossível de ser feito.
– Vá se deitar – disse ela. – Pensarei em algo, concentrando minha mente nisto toda a noite.
Ao amanhecer chamou o pai e disse:
– Diga ao czar que se ele puder represar todos os rios do mundo com este pedaço de estopa, então esvaziarei o mar para ele.
O pai voltou ao palácio e contou a czar o que a sua filha dissera.o czar reconhecendo que ela era mais sábia do que ele, pediu que ela fosse enviada à corte imediatamente. Quando ela se apresentou, ele lhe perguntou:
– O que é que pode ser ouvido a uma grande distância?
Sem vacilar, ela respondeu imediatamente:
– Somente o trovão e a mentira podem ser ouvidos desde os pontos mais distantes, ó czar.
Antonio, o czar segurou sua própria barba, e virando-se para os cortesãos lhe perguntou:
– Quanto acham que vale a minha barba?
Todos começaram a calcular o que pensavam que a barba valia, dando-lhe preços cada vez mais altos para adular Sua Majestade. Então o czar perguntou à donzela:
– E você, minha criança, quanto você acha que vale a minha barba?
Os cortesãos aguardavam atentos a resposta:
– A barba de Vossa Majestade vale três chuvas de verão.
O czar muito surpreendido, disse:
– Você respondeu corretamente. Eu me casarei com você e farei de você minha esposa hoje mesmo.
E assim a jovem se tornou a czarina. Mas assim que as bodas terminaram ela disse ao czar:
– tenho um pedido para fazer. Conceda-me a graça, escrita com letra de sua própria mão, de que se você ou qualquer um da sua corte desgostar-se comigo, e eu tiver que partir, me será permitido levar comigo aquilo de que eu mais gostar.
Enquanto com a bela donzela, o czar pediu uma pena e um pergaminho e imediatamente escreveu, selando o documento com seu anel de rubi, tal como ela havia solicitado.
Os anos se passaram com muita felicidade para ambos. Um dia porém o czar teve uma acalorada discussão com a czarina e, irritado, ordenou:
– Vá embora! Desejo que deixe este palácio para nunca mais voltar.
– Então irei embora amanhã – disse a jovem czarina, obedientemente. – Permita-me somente passar a noite aqui para preparar meu regresso a casa.
O czar concordou e, antes de deitar-se, tornou a bebida de ervas que ela sempre preparava para ele. Assim que bebeu o czar caiu adormecido. A czarina levou-o para à carruagem real, e partiram para a cabana de seu pai.
Quando amanheceu o czar, que havia dormido tranqüilamente a noite inteira, despertou, olhando desconcertado ao seu redor.
– Traição! – gritou. – Onde estou e de quem sou prisioneiro?
– Meu, Vossa Majestade – respondeu a czarina docemente. – O documento escrito por sua própria mão está aqui.
Lhe mostrou o pergaminho onde ele havia escrito que se ela tivesse que sair do palácio poderia levar aquilo de que mais gostasse.
Quando o leu, o czar riu de coração, e declarou que seu afeto por ela ainda era o mesmo.
Ao que ela respondeu:
– Meu grande amor por você, ó czar, me fez assim tão audaciosa. Mas, se arrisquei minha vida, isso demonstra o quanto amo você.
E foi assim como eles se uniram novamente e viveram felizes para o resto de suas vidas.

Extraído do livro: Histórias da Tradição Sufi.

 Bjs !

segunda-feira

As três filhas do rei


As três filhas do rei ( Cultura Popular)

Era uma vez 3 princesas que foram seqüestradas por uma bruxa velha e feia, que as aprisionou em uma caverna e começou a ensiná-las a sua magia. Um dia, um príncipe se perdeu e chegou à caverna. Pediu abrigo e foi bem recebido, mas logo percebeu que havia algo errado. Em um momento de distração da bruxa, a mais nova das princesas contou ao príncipe que o intuito da velha era matá-lo e combinaram uma fuga. Assim que percebeu que os dois haviam fugido, a bruxa mandou a princesa mais velha atrás deles. Usando a magia que aprendeu, a princesinha fujona enganou a irmã, que voltou para a caverna. A bruxa mandou, então, a irmã do meio, que também foi enganada. Assim, a própria feiticeira foi atrás do casal. A moça pediu ao príncipe sua espada: ela se transformaria em um lago e ele em um pato, que não deveria sair de maneira alguma do meio do lago. A velha encontrou o lago e tentou de todas as formas atrair o pato para a margem, mas ele ficou onde estava. A bruxa, então, bebeu toda a água do lago. Nesse momento, a princesa pegou a espada e cortou a barriga da bruxa, que morreu. A princesa e o príncipe se casaram e foram muito felizes.

Bjs, !

quinta-feira

Nasrudin e os Convidados


Nasrudin e os Convidados 

Era tarde da noite, e o mullá estivera conversando com os amigos numa casa de chá. Ao saírem da casa de chá, perceberam que estavam com fome.
— Venham todos comer em minha casa — convidou Nasrudin, sem pensar nas consequências.
O grupo estava quase chegando à casa, quando ele achou que devia ir na frente para avisar a esposa.
— Fiquem aqui enquanto vou avisá-la — disse Nasrudin aos amigos.
Quando ele contou à esposa, ela protestou:
— Não há nada em casa! Como você se atreve a convidar toda essa gente para vir aqui?
Nasrudin subiu ao andar superior e escondeu-se.
Dali a pouco, a fome impeliu os convidados a aproximar-se da casa e a bater-lhe à porta.
A mulher de Nasrudin atendeu-os.
— O mulla não está.
— Mas se o vimos ainda agora entrar pela porta da frente! — gritaram os amigos.
Naquele momento, ela não conseguiu pensar em coisa alguma para dizer.
Ralado de ansiedade, Nasrudin, que ouvira a troca de palavras de uma janela do sobrado, inclinou-se para fora e disse:
— Eu podia ter saído pela porta dos fundos, não podia?

Conto Sufi persa.